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Fim da escala 6x1: Cadu Monti explica novas regras, prazos e impactos para empresas e trabalhadores

Nova jornada de trabalho começa a mudar em 16 de dezembro de 2026. Cadu Monti explica as folgas, a redução de horas e os cuidados para empresas e trabalhadores.

Fim da escala 6x1: Cadu Monti explica novas regras, prazos e impactos para empresas e trabalhadores

O fim da escala 6x1 exige atenção de trabalhadores e empresas. A partir de 16 de dezembro de 2026, a nova regra prevê dois dias de descanso semanal e inicia a transição para a redução da jornada máxima de trabalho, sem diminuição salarial. Para esclarecer o que muda na prática, o advogado trabalhista e empresarial Carlos Eduardo Monti Júnior, conhecido como Cadu Monti, explicou os principais pontos da mudança em entrevista ao Jornal do Meio-Dia desta quarta-feira (21).

Segundo o advogado, a alteração foi estabelecida pela Emenda Constitucional 141 de 2026, promulgada em 16 de outubro. A mudança atinge dois pontos: a distribuição dos dias de trabalho e descanso e o limite da jornada semanal.

Quando começa o fim da escala 6x1?

De acordo com Cadu Monti, a partir de 16 de dezembro de 2026, o trabalhador abrangido pela nova regra deverá ter dois dias de descanso por semana, deixando o modelo de seis dias de trabalho para um de folga.

Já a redução da jornada máxima semanal será gradual. Na primeira etapa, o limite passa de 44 para 42 horas semanais, a partir de 16 de dezembro de 2026. Depois, em 16 de dezembro de 2027, a jornada máxima chega a 40 horas semanais.

O advogado também ressaltou que a adequação das horas trabalhadas exige atenção às regras da emenda e às negociações coletivas. A empresa não poderá simplesmente ampliar a duração diária do expediente para compensar a redução semanal sem observar as condições previstas na legislação.

O salário pode diminuir com a nova jornada?

Não. Conforme explicou Cadu Monti, a mudança prevê a redução da jornada sem redução salarial. Na prática, o trabalhador deverá cumprir menos horas, mantendo o salário.

O advogado também destacou que o trabalhador não poderá abrir mão do direito aos dois dias de descanso para continuar trabalhando seis dias por semana, mesmo que exista um acordo direto com o empregador. Segundo ele, os direitos trabalhistas têm caráter irrenunciável.

Como ficam supermercados, lojas, restaurantes e outros setores?

Empresas que funcionam todos os dias, como supermercados, padarias, farmácias e serviços de saúde, poderão continuar operando. A mudança exige, porém, uma reorganização das escalas para garantir os períodos de descanso previstos.

Cadu Monti explicou que a emenda não determina que as folgas sejam obrigatoriamente aos domingos, mas estabelece preferência por esse dia. As regras específicas de trabalho aos domingos variam conforme a atividade e a categoria profissional.

Nesse cenário, a negociação com os sindicatos pode ser importante para dar segurança jurídica às empresas, adequar as escalas e conciliar o cumprimento da legislação com a produtividade e o atendimento aos clientes.

Quais trabalhadores serão afetados?

Segundo o advogado, a nova regra alcança os empregados submetidos à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que trabalham no regime de 44 horas semanais e na escala 6x1, incluindo trabalhadores terceirizados e temporários.

Já as categorias com jornadas especiais previstas em lei exigem uma análise específica. Cadu Monti também observou que, em princípio, quem já trabalha 40 horas semanais em escala 5x2 por iniciativa do empregador não deverá ter alteração, embora tenha ressaltado que esse ponto pode gerar diferentes interpretações.

O que fazer se a empresa não cumprir a nova regra?

Caso o trabalhador não receba as folgas previstas ou identifique algum descumprimento, o advogado orienta procurar o sindicato da categoria, quando houver, ou o Ministério do Trabalho. Também é possível buscar os canais digitais disponíveis para registrar reclamações e solicitar fiscalização.

Cadu Monti avalia que, no início da implementação, a principal preocupação será a adaptação das empresas e a fiscalização do cumprimento das novas regras. As discussões judiciais sobre os efeitos da mudança podem surgir posteriormente.

O que as empresas precisam fazer para se preparar?

Para os empregadores, a mudança envolve mais do que alterar os dias de folga. É necessário revisar as escalas, avaliar a organização das equipes, considerar os custos operacionais e analisar como manter a produtividade com a nova jornada.

O advogado ressaltou que pequenos negócios podem enfrentar dificuldades maiores, especialmente quando contam com equipes reduzidas e dependem de dias de maior movimento, como os sábados. Dependendo da atividade, também será necessário considerar questões logísticas, como o transporte dos funcionários.

A orientação é buscar assessoria jurídica e avaliar as necessidades de cada negócio antes da entrada em vigor das novas regras.

Entenda o fim da escala 6x1

A mudança representa uma transformação importante na organização das relações de trabalho. Para o trabalhador, é fundamental conhecer os direitos e conferir como a jornada será ajustada. Para as empresas, o planejamento antecipado pode ajudar a evitar problemas e facilitar a adaptação.

A entrevista completa com Cadu Monti foi ao ar no Jornal do Meio-Dia desta quarta-feira (21), na Rádio Super Difusora. O advogado esclareceu dúvidas sobre os prazos, as folgas semanais, a manutenção dos salários e os desafios que a nova legislação apresenta para trabalhadores e empregadores.